#clipeanálise: Lady Gaga cria uma nova raça em Born This Way

A carreira de Lady Gaga é marcada por grandes polêmicas e excentricidades. Seus videoclipes irreverentes e originais fizeram com que se tornasse uma das artistas mais completas do mundo pop. Seja cantando, atuando ou fazendo qualquer outra expressão artística, ela chega “pra causar”.

Em 2011, a Mother Monster  (como é conhecida por seu fã clube, os Little Monsters) lançou seu segundo álbum gravado em estúdio, o Born This Way. E é exatamente o clipe que dá nome ao álbum que o Clipestesia vai analisar hoje.

Com toda a sua diferenciação artística, Gaga traz em suas composições temas que são de extrema importância nos âmbitos social e cultural. A cantora é defensora de inúmeras causas como a luta dos homossexuais, dos negros e das mulheres. Mediante a isto, o clipe de Born This Way nada mais é do que um hino de aceitação.

Há de se convir que com detalhes e símbolos a artista faz críticas a extremismos e preconceitos sociais. Trazendo, por meio da letra e da representação videográfica, a aceitação de “uma nova geração  humana”.

A primeira grande simbologia, que aparece já nos primeiros segundos do vídeo, é a apropriação de um elemento utilizado por nazistas nos campos de concentração para “classificar” os homossexuais, o triângulo rosa invertido.  A utilização da figura geométrica é muito importante para o entendimento da narrativa do vídeo, pois além do significado descrito acima, o triângulo, em sua forma original (com a aresta para cima), representa nos dias atuais o orgulho gay.

Ainda neste primeiro momento, dentro do triângulo há a figura de um unicórnio, que diante de alguns conceitos representa a pureza, a espiritualidade e a virgindade.

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Todo esse cenário serve para mostrar ao espectador o nascimento de uma nova raça. Oi? (Não, eu não estou louco). É, Lady Gaga resolveu criar sua própria raça, dentro da raça humana. É complexo. É Lady Gaga. É fantástico.

Brincadeiras à parte, ainda no início do vídeo, Gaga representa uma deusa que dá à luz a uma nova “linhagem” de humanos.  É uma viagem psicodélica que esconde diversos símbolos e elementos subliminares representados pelo nascimento de novos ideais.  Após a concepção, inúmeras máscaras são demonstradas dentro do triângulo, explicando o nascimento de seres artificiais que possuem pensamentos desenvolvidos.

A criação desta nova raça leva ao nascimento de uma entidade do mal que, segundo explicações da cantora, é necessária para equilibrar a existência do bem (na realidade seria apenas uma metáfora para explicar o fato de existirem o lado bom e o lado negro da força). Essa entidade é representada por silhueta de pessoas que ,ao se juntarem, formam a imagem do rosto de uma caveira.

Após este primeiro momento emblemático, Gaga dança com seu exercito de “recém-criados”, os quais possuem características semelhantes. Entre eles existem pessoas de todas as cores, etnias e sexos. Um fato curioso é que eles possuem alongamentos na pele, principalmente na testa, representando a evolução da mente humana.

Em uma outra cena, Lady Gaga dança com o Zombie Boy (Rick Genest), modelo canadense conhecido por tatuar a maior parte de seu corpo para ficar parecido com uma caveira (pois é! É bizarro, mas tem gente que curte). Durante a dança, os dois estão vestidos com terno e gravata e ficam flertando a todo momento. Gaga sensualiza, “encoxa o boy”, faz dancinha, fica louca. Ela acredita que ele pode ser seu crush, e é essa a intenção. Através do figurino, e pela maquiagem caracterizando Gaga exatamente igual ao modelo, percebe-se que independentemente de sexo ou cor, o amor pode acontecer porque ele vem da alma. Meu Deus, Lady Gaga sendo fofa ❤ #momentofofura.

Como o clipe é repleto de simbologias e referências, uma homenagem mais que especial é dedicada aos reis do pop. Nas cenas finais, Gaga aparece, por meio de sua silhueta na sombra, no meio da penumbra, com as luvas de Michael Jackson e o close em seu rosto revela os tão conhecidos dentes separados de Madonna. Como não amar Lady Gaga?

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Depois de gerar uma nova raça de humanos, combater o mal, flertar com a vida e a morte, agarrar muito o zombie magia,  dançar com seu exercito (sim, ele é pesado. Ele tem poder!), Gaga cumpre o maior papel de sua carreira com Born This Way, que é mostrar a verdadeira aceitação. Centenas, milhares de pessoas mudaram sua vida com este testemunho musical e, com certeza, não importa o que você seja, você pode ser quem você quiser. Que tal ser uma rainha?

Por Lucas Perario

 

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