As Queens do Brasil

Brasil vive invasão Drag no mercado musical e de videoclipes. Não percebeu?

Muito é dito sobre os reais significados do termo “Drag Queen” e de quando a cultura Drag teria se tornado algo realmente popular. O termo teria surgido nos Estados Unidos por volta da década de 80 e a vida noturna de Nova York aparece como o plano de fundo nas mais loucas, engraçadas e divertidas histórias contadas pelas icônicas figuras desse mundo. Pensando nesses grandes nomes da Cultura Drag, chegamos na lendária e uma das mais importantes contribuidoras por expandir essa arte numa escala global jamais vista: RuPaul.

Principal nome na promoção do combate a AIDS nos EUA, RuPaul (também conhecida como ‘Mama Ru’ ou apenas ‘Ru’) é uma cantora, modelo, atriz e jurada no reality show “RuPaul’s Drag Race”, no qual julga, a cada temporada, o desempenho artístico, a coragem, o talento, o carisma e a individualidade das participantes em busca da nova “America’s Next Drag Superstar”. Seu programa é capaz de projetar para o mundo do entretenimento e da música (principalmente) muitas Drags e um exemplo disso são os crescentes números de shows, turnês (inclusive mundiais) e CDs lançados pelas felizardas candidatas que já passaram pelas lentes excêntricas de Ru. Mesmo que, até o momento, nenhuma representante brasileira tenha passando pela competição que se encontra em sua oitava temporada e que já está renovada para uma nona pelo canal norteamericano LogoTV, a arte Drag brasileira parece também estar se beneficiando dessa popularidade.

Este texto poderia ser mais um no imenso mar de matérias focadas em mega estrelas trabalhadas na língua inglesa, com seus videoclipes nada baratos e uma qualidade que teimamos em achar apenas no lado de fora de nosso país, mas por que irmos tão longe? Por que enaltecer apenas “o outro” e não olharmos o que está acontecendo aqui, ao nosso redor? Será mesmo que só a grama do vizinho consegue ser verde?

Bem, eu mostro que não. Mostro que além de verde a nossa grama é azul, amarela, multicolorida e com uma das floras mais lindas e únicas. Conheça ou relembre alguns dos produtos nacionais de dar inveja em muito gringo lá fora:

PabloVittar1 (1)
Pablo Vittar – Conhecidíssima como a noite de Paris!

Esse rostinho pode não ser tão novo se você também assistia ‘Amor & Sexo’ nas noites de sexta-feira da rede Globo. Pabllo entrou como vocalista da banda do programa em janeiro de 2016 substituindo Léo Jaime e encantou o público com sua potente voz e maquiagem sempre impecável. Essa maranhense de muita presença no palco ganhou notoriedade na mídia a partir do final de 2015 com a música e o videoclipe para a faixa “Open Bar”, uma mistura gostosa de samba e pop, que, atualmente, possui mais de um 1,6 milhões de visualizações no Youtube. A qualidade e o sucesso da artista proporcionaram elogios ao seu trabalho vindos até de Diplo, DJ e produtor de “Lean On”, hit mundial que originalmente inspirou a faixa de Vittar. Além desse reconhecimento, a Drag lançou seu próprio EP também denominado “Open Bar” em dezembro de 2015, saiu em turnê pelo país e continua firme e forte na divulgação de seu trabalho no Youtube.

Assista “Amante”, o mais recente videoclipe da artista lançado em 7 de Abril de 2016:

Seja toda feliz e animada com as amigas em “Open Bar”, exalando sensualidade no videoclipe de “Minaj” ou fazendo a Marimar em “Amante”, Pabllo Vittar surge como um dos nomes mais promissores da cultura Drag, POP e do cenário musical brasileiro. Seu timbre de voz único, combinado com as letras de suas músicas e batidas que podem misturar do Pop, Trap, Samba, MPB ao Funk, mostram uma versatilidade musical divertida e bem estruturada, algo um tanto raro no mercado musical do nosso país.
Bobo é quem não te quis né, Pabllo?!

LiaClark2_foto de sua pagina oficial do fb
Lia Clarck – Você quer close? Então toma close!

Essa paulista da cidade de Santos vem ganhando cada vez mais atenção com seu trabalho após o lançamento, em 21 de janeiro de 2016, de seu videoclipe para a música “Trava Trava”. Com apenas um pouco mais de 2 meses, seu vídeo oficial já se aproxima de 900 mil visualização e une uma batida viciante de Funk com uma performance confiante da Drag. Como bem enfatizado na letra de sua música, Lia é uma menina que vai direto ao ponto e surge como mais um maravilhoso exemplo de dedicação e competência na construção de sua persona: sensual dos pés a cabeça, ela posa como a única e a principal estrela de seu videoclipe, dando para a criativa  e ousada! coreografia toda a magia que te faz querer assistir o vídeo até o final. É simplesmente VICIANTE!

Você quer dançar? Então prepara pro Trava Trava:

Se com apenas essa música a musa funkeira de São Paulo já conseguiu aumentar sua agenda de shows e sair em turnê pelo Brasil com sua “Trava Trava tour”, prepare-se para escutar falarem muito mais de Lia Clark quando seu EP, que ainda está em fase de construção, for lançado.
Não demora com esse lançamento,heinnn

GloriaGroove1_foto por Bruna Brandão
Gloria Groove: Enquanto mamacita fala, vagabundo senta!

Gloria é mais uma das representantes das Drags brasileiras que soltam o vozeirão e já soma milhares de fãs e seguidores. Com apenas 20 anos de idade, essa linda, também de São Paulo, ficou primeiramente conhecida por alguns devido aos seus maravilhosos covers de artistas como Beyoncé e Sia e por outros a partir de sua participação no quadro “Bishow”, da última temporada do programa ‘Amor & Sexo’, da rede Globo.

Mais uma das filhas de Rupaul, como ela mesma se denomina, Gloria surge no cenário musical, POP e LGBT+ brasileiro levando o empoderamento e a representatividade da cultura Drag em escala máxima com o videoclipe “Dona”. Ministério da saúde informa: abaixa que é tiro!

Diretamente da zona leste para ser dona do mundo, Gloria (Fucking) Groove:

Mais do que enquadramentos bem feitos e uma boa iluminação, em “Dona”, Gloria Groove mostra toda sua força, expondo em suas rimas o significado do que é ser uma Drag Queen e manda uma resposta direta e reta aos donos de comentários discriminatórios sobre esta cultura: “prazer, eu sou arte, meu querido! / Então pode me aplaudir de pé./ Represento esforço, tipo de talento, cultivo respeito, cultura Drag é missão!/ Um Salve a todas as montadas da nossa nação!”.

Carregado de uma vibe Hip-Hop, o carro chefe de seu primeiro EP, previsto para ser lançado em maio, vem como um verdadeiro hino para ser enaltecido nos quatro cantos de nosso país que ainda é palco de um conservadorismo exagerado e um preconceito sem nexo.

Dona da festa e da minha playlist você, tá Gloria?!

Para finalizar, eis uma participação magnífica de algumas de nossas Drag Queens brasileiras no videoclipe “Insight”, de Luiza Possi, lançado em 29 de janeiro de 2016:

Em “Insight”, Pabllo Vittar, Chloe Van Damme, Ravena Creole, Aurora Borealis, Natasha Fierce e Luiza Possi brincam com os tabus de gêner: a cantora começa vestida com trajes que muitas sociedades taxam como “masculinos” e é despida, das mesmas peças, pelas próprias Drag Queens. Sedutoras do início ao fim do videoclipe, nossas Drags levam Luiza para novas atitudes corporais, inspirando a cantora a ter novos semblantes mais bem humorados e descontraídos – algo parecido com o que muitos desses artistas conseguem provocar.

Desde o início dos tempos, quando xamãs, bobos da corte e feiticeiros transformavam suas fisionomias, já tínhamos a prática Drag entre nós. Ser uma Drag Queen é ser um estado de espírito, um ato político, dar asas a suas fantasias, mudar a normatividade, ser sinônimo de provocação nos mais altos níveis ao conservadorismo, é ser punk rock por não seguir qualquer regra de padrões. Mas que fique claro: ser uma Drag Queen não é apenas “querer ser uma mulher” ou “parecer” com uma, mas, sim, ser aquela persona construída, ser o “out of Drag” e, ao mesmo tempo, a personagem. Homem, mulher, negro, branco, ateu ou budista, isso não importa. As Drags mudam a forma. Elas podem (e devem!) fazer o que quiserem. Ser Drag é arte.

O cenário musical e o mundo dos videoclipes ganham novas cores com essas artistas tão únicas que surgem no Brasil. Por mais Drag Queens, Drag Kings e toda a possibilidade de arte e artistas em nosso território.

Viva a diversidade!

Por Caio Coelho

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